quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Spreads preocupam e governo deve agir, diz Dilma

Fonte: Reuters

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticou nesta quarta-feira o nível dos spreads bancários e disse que o governo deve atuar para combater a prática.

Para a ministra, é inadmissível que os spreads (diferença entre o valor que os bancos captam e o que emprestam) sejam de 30 pontos percentuais no Brasil, enquanto no exterior, onde a inadimplência é superior devido ao colapso do sistema financeiro global, atinjam 5 pontos percentuais.

"O mundo mudou. Nesse processo, é estratégico abaixar o custo de capital. O governo tem consciência disso", afirmou Dilma a jornalistas, ao deixar seminário no encontro com prefeitos promovido pelo Planalto.

A ministra assegurou que o governo fará a sua parte quanto à Selic e aos spreads. "Os juros básicos o Banco Central está providenciando, começou esse processo reduzindo 1 por cento e continuará fazendo o que achar que deve", disse. "Os bancos públicos serão benchmark (referência)."

Antes, durante discurso, Dilma disse que o governo agirá para reduzir os custos de capital.

AUTOMÓVEIS

Lembrando que a atual crise financeira global também é gerada por expectativas, a ministra comentou a formação de filas nas lojas de automóveis depois de o setor receber incentivos do governo.

Para Dilma, esta situação mostra que talvez o setor não demandasse tanta preocupação com a redução da produção e anúncios de férias coletivas, pois os estoques foram liquidados e a procura por carros não caiu.

"O medo é essa coisa destruidora que faz com que tem hora que você erre na mão. Uma das erradas de mão é essa história dessas filas agora para comprar carro", afirmou.

Esse episódio, ressaltou a ministra, comprova que o Brasil está mais preparado para enfrentar os efeitos da crise do que os países desenvolvidos.

"O Brasil, de uma certa forma, não precisa passar por toda essa via crucis da crise que os países centrais estão passando", sublinhou. "Nós podemos passar por dificuldades, mas serão bem menores."

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